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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Dois novos cineclubes da Baixada.

Na semana que passou, dois novos cineclubes começaram a funcionar pela baixada. O Cineclube Donana, em Belford Roxo, no tradicionalíssimo Centro Cultural Donana e o CCN (Clube de Cinema de Nilópolis), no Teatro Municipal Tim Lopes.
No Domingo, dia 4, o Donana abriu as portas para uma sessão infantil com a animação "A Viagem de Chihiro", destribuindo pipoca pra molecada das redondezas, e logo após se expandiu para o público com a exibição do simpático "Saneamento Básico", último longa do Jorge Furtado. O legal é que, por o espaço não ser um auditório, o clima informal dá o tom especial as sessões: todo mundo esparramado em tapetes e puffs, tão a vontade que é perfeito pra eventuais cochilos.
Sexta, dia 9, o CCN estreiu de baixo de muita chuva, com um público reduzido, exibindo o documentário "Novos Lares", do jornalista nilopolitano Radamés Vieira. O filme busca expor fatos e memórias acerca da imigração de judeus do leste europeu para Nilópolis, por volta dos anos 20 e 30. O diretor introduziu o filme, que rendeu um pequeno debate no final. No Teatro Tim Lopes, temos a impressão de estar num antigo cinema de rua, com suas poltronas confortáveis desbotadas mostrando espumas, colaborando pro clima saudosista que o Clube já trás no nome (durante anos 40 e 50, a maioria dos cineclubes eram "clubes de cinema").

Cada qual com sua proposta, os novos cineclubes vêm confirmar a espontêniedade do movimento na Baixada, provando que não estamos mais falando de "projetos de inclusão" ou de carência cultural. O melhor é que dessa vez não foi necessário alguém de fora cair de para-quedas, criar uma atividade e justificar seu ato através dos famosos discursos que exaltam o agente em detrimento do meio. Quando é necessário, as coisas acontecem por elas próprias. Não tem mistério.
É mais uma vitória do público. Filmes são feitos para serem vistos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Revista FOCO


Mudou. Saiu o filme do Samuel Fuller. Que sacanagem.
De quem?
Samuel Fuller, não conhece Samuel Fuller? Um diretor americano bacana que fez "Casa de Bambu", "A Lei dos Marginais". Filme colorido filmado no Japão, muito bacana. O bandido morria pelado no banheiro, cê viu sim.

É. Não me lembro, não. Vamo tomar um café?
Cê paga?
Pago.

E assim eu apresento pra todos a Revista FOCO, editada pelo Bruno Andrade. Pela edição inicial, vem coisa boa por aí. O primeiro número enfia a baioneta no mestre Samuel Fuller  (finalmente uma avalanche pra quem merece!) com textos de Sergio Alpendre e Inácio Araújo, entre outros, usando até uma colagem do Jairo Ferreira! Mais uma fonte de produção e difusão de textos sobre cinema. Adicionem aos favoritos e sejam felizes.

A imagem e o diálogo são de "Documentário", 1966, Rogério Sganzerla.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Vida longa à nova carne.

O Goteira é um ritual de sádicos. Um lugar onde as pessoas - não muitas - sentam e engolem à força os excrementos do cinema. Na tela e na sala grotesta se expõe um medo em comum. Algo que transitou desde a nossa casa até as salas de cinema que frequentamos. Mas no Goteira, nossa fraqueza dá lugar ao sadismo curioso. Um horror que obriga as delicadas menininhas a abrirem frestas entre as mãos para ver fotogramas de sanguinolência ou obscenidade. Sentimos queimar os mamilos e ainda assim repetimos os bordões. O Goteira é um sequestrador e nós somos suecas peitudas mergulhadas numa síndrome de Stockholmo hostérica.
Acredito que das dezoito às vinte e duas horas do segundo sábado (nem sempre) de cada mês carrega um mistério nas nuances. Momentos que precedem, percorrem e encerram as sessões, são carregados de uma "mágica" bizarra. No caminho de ida e volta da Sala Zelito Viana, nos deparamos com situações estranhas e simbólicas. Situações essas que parecem ser retratadas nas sessões. O ritual maldito parece dar vida aos personagem da tela. Quem não viu se materializar a Babá em "Os Monstros de Babaloo"?
No escuro, as preces rezam os filmes e as risadas são o reflexo do óbvio contido em exterminar preciosas horas da sua noite de sábado numa mediocridade coletiva.
O mestre de cerimônia deveria vestir uma capa negra, mas se camufla no público coberto com uma camisa do América, um vermelho-sangue assustador, te convidando a berrar: "Vida longa à nova carne!". Carne essa que nos cobre e contamina, desde a desértica entrada até quando um certo alguém acende as luzes erradas fazendo todos levarem aos olhos as mãos.
Mas todos voltam. Pois o Goteira é um ritual de sádicos.
Guilherme Cabral

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A arte de falar durante um filme

Quando aparece gente nova no Goteira, eu faço questão de avisar que é completamente permitido se manifestar durante a exibição do filme. O que seria incômodo em qualquer outra sessão de cinema, numa sala que não a das casas, aqui se torna uma coisa essencial.
Como muitos já dizem por aí, o filme é o produto da interação do ecrã com a platéia. Dependendo da forma que se assiste, as impressões podem ser diferentes. Portanto, o estímulo às manifestações é parte de um projeto de, digamos, "debate em tempo real", sem a preocupação com termos, palavras e etc; que torna essa interação citada bastante sincera e dinâmica. Além disso, a manifestação no escuro (literalmente) dá aos tímidos a chance de falar o que estão achando, coisa que não fariam (e não fazem!) com as luzes acesas e com a atenção dos presentes.
Porém, as manifestações não se resumem a sinceridade e desinibição. Toda opinião emitida durante a projeção pode ser completamente alterada ao final da sessão, seja por uma nova interpretação ou, principalmente, por uma nova informação dada pelo filme. Assim, a surpresa que alguém teria em silêncio é compartilhada com toda uma sala e cria uma espécie de sentimento homogêneo que só essa relação público/filme é capaz de fazer e, claro, só esse "debate em tempo real" torna possível.
É incômodo estar num cinema e ouvir pessoas falando alto, atrapalhando. O fato é que esses "chatos" não estão articulando idéias com você. No Goteira, a intenção é fazer todo o grupo compartilhar gritos, xingamentos e expressões que podem incomodar, fazer rir ou até mudar a visualização de quem as ouve.
Falar durante o filme é um ato saudável que torna cada exibição única, já que cada platéia criará uma forma e uma expressão diferente para se comunicar com o meio e com a obra.
Alguém faça o favor de perguntar "E daí?".

MT

Foto de "Sem Essa Aranha", Rogério Sganzerla
Não me perguntem o que ela tem a ver com o texto

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pendências, digamos assim.

Queria comentar aqui que a sessão anterior do Goteira foi um arraso. Pudera, com uma obra-prima como aquela, ficaria difícil ser ruim.

Pois então, aos que foram e ficaram interessados, estou colocando aqui direitinho o livro que usei pra falar um pouco da Boca e provavelmente esqueci de falar o título, já que alguns vieram me perguntar depois. É o "Cinema da Boca - Dicionário de Diretores", do Alfredo Sternheim. Resta lembrar que, por ser formato de dicionário, serve mais como material de pesquisa, curiosidade e etc; mas devem ter umas 40 páginas de história sobre a Boca do Lixo e seu cinema. Eu cheguei a comentar que custaria em média 15 pratas (já que paguei por aí), mas o mais barato que encontrei pela internet foi a 18 no submarino.

Outra coisa: a galera da Heco Produções mantém um site sobre o Galante (provavelmente o maior produtor da Boca) cheio de informações. Eu indico de cara ESSE TEXTO do Arthur Autran pra começar, depois naveguem pelo site com carinho.

Até a próxima!